Índice registra menor nível desde janeiro sob impacto de nova barreira comercial norte-americana, disparada do petróleo e estresse nos juros locais
O mercado financeiro brasileiro viveu um dia de forte aversão ao risco nesta quarta-feira (3). O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), fechou em queda acentuada de 2,22%, aos 170.330,63 pontos. Este é o menor nível registrado pelo índice desde janeiro deste ano.
No mercado de câmbio, o dólar comercial subiu 1,14%, cotado a R$ 5,0668, impulsionado pela busca global por ativos seguros.
Tarifa americana e Oriente Médio pressionam mercados
A forte onda de vendas na B3 foi desencadeada por uma combinação de fatores geopolíticos e comerciais:
Alerta comercial: O governo dos Estados Unidos propôs uma nova sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros, gerando temores de impacto direto nas exportações do país.
Escalada geopolítica: Novos ataques no Oriente Médio reduziram as esperanças de um acordo de paz na região. O conflito fez o petróleo Brent disparar para a casa dos US$ 98 por barril.
Juros no Brasil: O cenário externo adverso aumentou o estresse na curva de juros futuros local. Analistas já revisam para cima as projeções para a taxa Selic diante do risco inflacionário.
Vale desaba e Minerva salta
O clima de desconfiança pesou sobre as principais ações do índice, com raras exceções de valorização isolada.
Vale (VALE3): A mineradora registrou queda expressiva de 3,64%, pressionada pelo recuo do minério de ferro na China e pelas incertezas macroeconômicas mundiais.
Petrobras (PETR4): Conseguiu segurar a volatilidade e fechou próxima da estabilidade, blindada exclusivamente pela forte alta do petróleo no exterior.
Setor Bancário: O Bradesco (BBDC4) recuou 2,08%, liderando as perdas entre os grandes bancos em um movimento de realização de lucros.
Maiores altas e baixas do dia
Entre as poucas ações que fecharam no azul, a Minerva (BEEF3) saltou 6,00% após ter sua recomendação elevada para compra pelo banco JPMorgan. A Raízen (RAIZ4) também subiu 5,26%, impulsionada por rumores do mercado sobre a venda de uma operação bilionária na Argentina.
Na ponta negativa, o setor de saúde liderou as perdas com a Dasa (DASA3) despencando 8,12%. A holding Cosan (CSAN3) também sofreu forte desvalorização de 7,22%, penalizada pela sua alta exposição ao cenário de juros elevados.