Inflação medida pelo IPC-S sobe 0,12% na terceira quadrissemana de janeiro de 2025

O índice, que monitora a variação de preços para famílias com rendimentos entre 1 e 33 salários mínimos

O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), registrou uma alta de 0,12% na terceira quadrissemana de janeiro de 2025, acumulando avanço de 3,49% nos últimos 12 meses. O índice, que monitora a variação de preços para famílias com rendimentos entre 1 e 33 salários mínimos, é um dos principais termômetros para acompanhar a inflação no país.

Habitação 
Entre os oito grupos que compõem o indicador, cinco apresentaram desaceleração nas taxas de variação, com destaque para o grupo Habitação, cuja variação passou de -1,46% na segunda quadrissemana para -1,78% na terceira. Esse movimento reflete a redução de preços em itens específicos, como energia elétrica residencial, que continua sendo impactada pela retração dos custos de geração e transmissão de energia no país.

A queda no grupo Habitação tem desempenhado um papel importante em amenizar o impacto inflacionário de outros grupos. Em meio a ajustes tarifários e mudanças no consumo residencial, os resultados desse segmento têm contribuído significativamente para segurar a inflação em níveis moderados.

Vestuário e alimentação
Outro grupo com destaque na apuração foi o de Vestuário, que desacelerou de 0,93% para 0,48%. Esse comportamento pode ser atribuído à transição de estações e ao fim de promoções características do período pós-festas, especialmente em itens como roupas e calçados.

O grupo Alimentação, um dos mais sensíveis ao consumidor, registrou leve desaceleração, de 1,38% para 1,32%. A redução reflete principalmente a estabilidade ou queda em itens básicos como hortaliças, frutas e carnes, em um cenário de ajustes sazonais e maior oferta em algumas regiões do país.

Os grupos Educação, Leitura e Recreação (0,06% para 0,04%) e Comunicação (-0,03% para -0,06%) também apresentaram quedas em suas taxas de variação, indicando estabilidade ou retração em itens como serviços de telecomunicação e pacotes de internet.

Saúde, transportes e despesas diversas
Por outro lado, três grupos registraram avanço em suas taxas de variação. Saúde e Cuidados Pessoais subiu de 0,48% para 0,60%, com destaque para medicamentos e produtos de higiene pessoal, refletindo ajustes de preços típicos do início do ano.

O grupo Transportes, que subiu de 0,45% para 0,55%, foi impactado por aumentos nos preços de combustíveis, como a gasolina, e em serviços de transporte público em algumas capitais.

Já o grupo Despesas Diversas apresentou alta moderada, de 0,24% para 0,27%, devido a reajustes em itens como tarifas bancárias e serviços pessoais.

Contexto econômico e projeções
O desempenho do IPC-S na terceira quadrissemana de janeiro reflete um cenário de pressões inflacionárias localizadas em meio a um ambiente de política monetária restritiva. Com a taxa básica de juros (Selic) em níveis elevados, o Banco Central segue buscando controlar a inflação, mesmo diante de choques setoriais e oscilações sazonais.

O mercado permanece atento à trajetória da inflação, especialmente em grupos mais voláteis como Alimentação e Transportes, que têm peso significativo no orçamento das famílias brasileiras. A desaceleração em Habitação traz alívio, mas o comportamento dos combustíveis e serviços de saúde poderá pressionar os índices nos próximos meses.

A próxima divulgação do IPC-S será acompanhada de perto por economistas e analistas de mercado, que utilizam o indicador para balizar projeções de crescimento econômico e decisões estratégicas em setores variados.

O resultado reforça o desafio das autoridades econômicas em manter a inflação dentro das metas estabelecidas, enquanto equilibram medidas de estímulo ao crescimento econômico.

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