O Banco do Brasil (BBAS3) encerra a temporada de balanço dos bancões nesta quarta-feira (7) à noite, com expectativa de mais um resultado forte no segundo trimestre de 2024 (2T24).
Embora espere uma ligeira aceleração da carteira de crédito do Banco do Brasil no 2º trimestre, a XP projeta que o crescimento se concentrará nas linhas em que o banco tem vantagem competitiva, principalmente em crédito consignado. Apesar das preocupações com uma desaceleração mais forte do que o previsto no setor de agronegócios e menor apetite ao risco, a expectativa é de uma aceleração moderada no trimestre na carteira de empréstimos do banco, alinhando-se com o ponto médio de sua faixa de orientação de 8% a 12%.
Os analistas esperam que o NII (margens financeiras) do banco aumente 9% ano a ano, enquanto permanece relativamente estável no trimestre devido a operações de empréstimo mais suaves. No entanto, espera-se que as provisões permaneçam sob pressão, apesar de uma taxa de inadimplência praticamente estável (NPL acima de 90). “Se o banco não conseguir reduzir efetivamente o nível de provisões, existe a possibilidade de uma revisão para cima da orientação, o que pode ter um impacto negativo nas ações do BBAS3”, avalia a equipe de análise, que ainda prevê que o índice de cobertura do banco permanecerá alto em 204% (+80 bps, ou pontos-base, trimestre a trimestre).
A projeção da XP é de lucro líquido das operações em andamento de R$ 9,0 bilhões no segundo trimestre, representando um aumento de 2,9% na base anual, resultando em um retorno sobre o patrimônio líquido de 21,3%.
O JPMorgan espera lucro de R$ 8,5 bilhões (ROE de 21%) e os principais tópicos devem girar em torno da contribuição da Patagonia para o NII (R$ 1 bilhão no 1T24). Inadimplência de empresas e agronegócio deve seguir em alta, o que pode impactar provisões.
O Santander estima que o Banco do Brasil tenha R$ 9,369 bilhões de lucro líquido ajustado no 2T24, +1% na base trimestral e +7% frente o 2T23, com um ROAE de 20%. “Prevemos sólida expansão de receitas, com forte contribuição da Patagônia. No que diz respeito às taxas de serviços, esperamos que as fracas receitas da conta corrente sejam compensadas por outras linhas de taxas. A inadimplência deverá apresentar uma ligeira deterioração em segmentos específicos, a nosso ver, mas nada alarmante. Dito isto, espera-se que as provisões permaneçam num nível elevado. Por fim, prevemos que as despesas se alinhem com o guidance, apesar de um repique esperado nas despesas administrativas”, aponta o banco.
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A equipe de análise do Santander aponta estar mais preocupada com a visão dos investidores sobre o 2T do BB, visto que a combinação de: (i) novos resultados fortes da Patagônia; (ii) deterioração da inadimplência no segmento rural; (iii) provisões elevadas; e (iv) um salto nas despesas administrativas pode levar os investidores a acreditarem que o 2T foi um trimestre de baixa qualidade, fazendo com que as ações apresentem desempenho ruim, similar ao que aconteceu após a divulgação dos resultados do 4T23 e 1T24. “Mesmo assim, ainda acreditamos que o BB possa alcançar um crescimento saudável com um valuation (muito) interessante”, avalia. A projeção é de um crescimento da carteira de crédito de 11% na base anual, com importante contribuição vinda do segmento de varejo.
Temporada de resultados: em quais ações e setores ficar de olho no 2T24?
O Goldman projeta lucro recorrente de R$ 9,2 bilhões no 2T24 (-1% no trimestre e +5% no ano), o que implica um ROE de 20,9% e avalia que a NII deverá persistir num nível forte (+14% face ao período do 2T23 versus o guidance de 7-11%), em parte ainda beneficiado pelo Patagônia. Por outro lado, as provisões devem se normalizar parcialmente a partir de uma base de comparação elevada no 1T24, quando as provisões aumentaram 46% na comparação anual. O consenso LSEG projeta um lucro de R$ 9,25 bilhões para o período entre abril e junho.